
Pra quem está acompanhando a série sobre os números, este é o segundo post a respeito dos números naturais... A idéia original era colocar tudo num post só, mas a multiplicação e a exponenciação ficaram pra esse post. Então vamos à multiplicação:
Vamos definir, também recursivamente, a multiplicação M, a partir da adição e da função sucessor:
- M(m, 1) = m
- M(m, S(n)) = A(M(m,n) ; m) = M(m,n) + m
- M(m,n) = M(n,m)
- m . 1 = m
- m . (n+1) = m . n + m
- m . n = n . m
- E(m, 1) = m, ou m1 = m
- E(m, S(n)) = M(E(m, n), m), ou mn+1 = mn . m
Mas dá para fazer umas considerações finais em cima de alguns subconjuntos dos naturais. Temos primeiramente o conjunto dos múltiplos de um número. O conjunto dos múltiplos de k é o conjunto
O conjunto de múltiplos de 2 é o conjunto dos pares e o conjunto dos ímpares é o conjunto dos naturais que não fazem parte do conjunto de múltiplos de 2. Podemos também definir o conjunto dos divisores de k como:
É do conjunto de divisores que surge o conceito de números primos. Números primos são os números cujo conjunto de divisores possui dois divisores distintos. Por isso, o número 1 não é primo!
Como nossas definições no universo dos números naturais foi totalmente recursiva, o nosso instrumental é limitado. Por exemplo, não podemos definir de forma trivial inversa para as nossas funções. Além disso, precisamos sempre desenrolar todas as operações até o passo inicial para resolver os nossos problemas. Por outro lado, a recursão nos permite provar teoremas por indução finita, uma das formas mais simples de fazê-lo. Mas precisamos sair da camisa de força da recursão e iremos fazer isso através da definição dos números inteiros e da subtração. É interessante que essa expansão vai utilizar os números inteiros, não iremos utilizar nenhum axioma. Mas eu já estou me adiantando. Aguardem o conjunto dos números inteiros!


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