Estava lendo esse texto do Cristovam Buarque e eu vi que ele reproduziu logo no começo do texto aquela velha história de que os esquimós tem diversos nomes pra indicar neve enquanto nós não temos nenhum. Essa é uma teoria bastante interessante e razoável. Exceto pelo fato de que não há comprovação nenhuma deste mito, como aponta o livro "The Great Eskimo Vocabulary Hoax and other Irreverent Essays on the Study of Language" de Geoffrey Pullum.
A história toda começou com o antropólogo Franz Boas que, tentando relacionar diferenças culturais com a língua. Ele teria relacionado 4 palavras pra neve em uma língua esquimó, enquanto que o inglês teria apenas uma, "snow". A partir daí o negócio foi crescendo como uma bola de neve e um editorial do New York Times dizia que os esquimós tinham 100 palavras distintas para neve.
Mas acontece que as investigações a respeito mostram que o número que o número de "palavras" nas línguas esquimós (Inuit, Yupik e Yuit) para neve são da mesma ordem das palavras pro inglês, algumas línguas tem um pouco mais, outras tem um pouco menos. E eu usei aspas em torno das palavras porque as línguas esquimós são polissintéticas, o que significa que a combinação de algum fonemas que formam uma "palavra" na verdade expressam uma frase inteira. Por exemplo, "qinmiq" significa cachorro, e "qinmiarjuk" significa filhote de cão. Eu não acredito que alguém argumentaria que essas são duas palavras distintas.
A teoria que tenta relacionar a linguagem à cultura é bastante interessante e é corroborada por muitos fatos. Mas isso não é verdade no que tange às palavras pra neve que os esquimós têm. |
5 comentário(s):
Meu blog não é especificamente somente sobre ciências, e ainda que fosse eu poderia produzir material suficiente pra num precisar ficar linkando material dos outros o tempo todo.
De qualquer forma, o seu blog é um dos poucos relacionado ao assunto...
Mal comparando, o alemão...
Pôxa, a história dos esquimós estava em um livro sobre a teoria da linguagem que me fizeram ler no colegial. O livro não era tão interessante mas essa história me fascinou... mais uma vez a realidade estraga uma história bonita...
Ah, obrigado pelo link!
Bem legal o post.
Acredito que cada língua/cultura tenha mais palavras para um evento/coisa à medida que sua importância/ocorrência é maior.
Parei para pensar nisso quando fui ao Canadá e tive que comprar mamão para minha irmã. Vi uns três tipos de mamão, todos com o mesmo nome ("papaya"). Lá é tudo a mesma coisa, mas aqui, culturalmente, damos quase que dezenas de nomes para a "papaya" deles.
Isso explicaria a quantidade de nomes para neve lá com os esquimós!
Paz!
Adorei, linkei pro meu blogue!!
É assim toda vez q eu gosto !!
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