segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Balões para a coroa do rei de Siracusa!


Balão de hélio do zoológico da Philadelphia. Eles se gabam de ser o primeiro balão de zoológico do mundo - "The first zoo baloon of the world"!

A ciência também tem suas parábolas que ensinam para os novos e jovens iniciados, como e quando a ciência ocorre. Uma delas, muito famosa, envolve Arquimedes, um dos meus cientistas favoritos. Reza a lenda que o Rei Hierão de Siracusa recebera de presente uma coroa de ouros feita no formato de uma coroa de louros. Desconfiado, o rei desafiou o sábio a encontrar uma forma de descobrir se a coroa era realmente feita de ouro ou se o ourives que criou a peça inseriu prata na liga. Arquimedes já tinha o conceito de densidade e sabia que, tendo o peso e o volume da coroa, ele seria capaz de matar a charada rapidamente. O peso da coroa é obtido facilmente, mas como é que ele descobriria o volume da coroa sem a derreter? O cientista vai pra sua casa, prepara seu banho para meditar a respeito do assunto, entra na banheira e nota que o nível da água sobe quando ele entra. Mais ainda: ele percebe que quanto mais ele se afunda na banheira, mais a água sobe! Ele então formula a seguinte hipótese científica: "o volume de água que é deslocado é idêntico ao volume do objeto imerso na água"! Basta então colocar a coroa num pote d'água e ver o quanto de água sobe para encontrar o volume. Muito contente e satisfeito, ele sai gritando "eureka" (descobri!) pelas ruas de Siracusa. Meu herói!

Vamos simular o que se passa na cabeça de Arquimedes (logicamente eu não tenho condições de dizer como Arquimedes pensava) a partir desta hipótese: "Quando jogamos um objeto na água, ele desloca um volume de água idêntico ao volume do objeto. Mas essa água que é deslocada tem um peso, igual à densidade multiplicada pelo volume deslocado. Então se o objeto inserido na água tem um peso menor do que a água deslocada, é razoável assumir que o objeto será incapaz de afundar, afinal o objeto não terá força suficiente para empurrar a água para cima. Então um objeto só afunda na água quando é mais denso que a água e flutua se é menos denso... hmmm... Interessante também notar que as coisas dentro da água parecem ficar mais leves, mesmo aquelas que afundam. É como se a água deslocada fizesse uma força para cima sobre o objeto... hmmm. Uma força proporcional ao volume de água deslocada e portanto proporcional ao volume do objeto... Empuxo! Eureka bis!"

Os resultados encontrados por Arquimedes foram mais gerais e abrangeram todos os fluidos testados por ele e a expressão que determina o valor do Empuxo é conhecida como Princípio de Arquimedes. Mas iriam ser necessários ainda cerca de 20 séculos para que alguém resolvesse aplicar o empuxo para voar!

Com a pesquisa em cima das máquinas térmicas e a vapor do princípio da revolução industrial, os cientistas e engenheiros da época começaram a entender o ar como algo mais do que um dos quatro elementos fundamentais da natureza. O aquecimento do ar aumentava a pressão e o resfriamento reduzia a pressão, até criava pressão negativa mas a massa do conjunto nunca se alterava! A manipulação de gases nos laboratórios gerou uma compreensão melhor das convecção e os primeiros químicos passaram a notar que o ar frio desce e o ar quente sobe. Os dois fenômenos, o da relação entre pressão e temperatura e o das correntes de convecção, fizeram os cientistas chegarem a uma conclusão bastante interessante: a de que gases também se comportam como fluidos. E que o ar aquecido tem densidade menor que o ar frio.

Em 19 de outubro de 1783 o físico frances Jean-François Pilâtre de Rozier e empresario Jean-Baptist Réveillon (nada a ver com a festa de ano novo) embarcaram num projeto maluco que consistia em um conjunto de anos costurados formando um saco com uma mini-lareira acesa na base e realizaram o primeiro vôo documentado com passageiros em um balão de ar quente. E o grande motor que leva o balão para cima é o empuxo. A "lareira" ao esquentar o ar, diminui a densidade dele. Com calor suficiente, a densidade fica tão baixa que o peso do balão passa a ser menor que o empuxo do próprio balão! Uma opção ao uso do ar quente é o uso de gases menos densos que o ar, como o Hélio ou o Hidrogênio (este último inflamável, crianças!).

Os mais interessados podem encontrar aqui o impacto da temperatura sobre o valor da densidade. E fica de exercício para vocês aí em casa: qual deve ser o volume do balão para flutuar uma carga útil de 300 kg (3 pessoas mais a farofa pra fazer um piquenique voador) e de massa morta (lona, cesto) 200kg, sendo que a temperatura que é possível atingir a temperatura de 80oC (densidade 0,99kg/m3) e a temperatura em terra é de 20oC (densidade 1,26kg/m3)? Arrisquem respostas nos comentários! Amanhã eu trago aqui a resposta certa e um esboço da solução!

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Férias Forçadas...

Bom pessoal, eu peço novamente desculpas pela falta de atualizações aqui no blog. Meu problema é que eu vou ser obrigado a tirar férias forçadas. O motivo é que eu estou sem internet em casa e não dá para ficar fazendo os posts no trabalho (leva cerca de 1 hora para fazer um post e eu preciso da internet para verificar as informações que eu escrevo). Então, depois de apenas um mês de blog, eu entro de férias! Eu espero estar de volta em duas semanas (dêem uma passada por aqui dia 13...). Quem sabe eu coloco alguma coisa no meio?