segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Teclado usando Organic LEDs

Os blogueiros no Engadget tiveram uma experiência frente a frente com o novo teclado Optimus Maximus:



Para quem não conhece, este imensamente esperado teclado (que já ganhou até Vaporware awards da Wired) possui em cada uma de suas teclas, pequenos displays de Organic LEDs (OLED) que podem ser configurados individualmente. A primeira aplicação que eu consigo imaginar é para jogos. Você abre seu Age of Empires e o seu teclado passa a exibir automaticamente desenhinhos ligados ao que cada tecla faz. Outras aplicações incluem softwares gráficos, mas as possibilidades são imensas.

Para quem tiver US$500 para torrar num teclado, fica aí a sugestão de um novo brinquedinho.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Correndo o risco de ser atacado...

O blog do Adilson Oliveira traz um post metendo o pau em uma nova revista científica criacionista sendo lançada. Pra ser justo, ele apenas ecoou a notícia que saiu na Nature sobre a tal revista, que se chama "Answers Research Journal". Já o Carlos Hotta botou um post bem humorado sobre como a Lei de Murphy contraria a teoria da evolução. Eu mesmo no post sobre as sementes de banana sacaneei o vídeo que abaixo:



É um tema comum na blogosfera científica atacar os movimentos não científicos. Os melhores e mais famosos blogs do nosso mundinho, tanto em português quanto em inglês, atraem público em grande parte por trazer este debate. Mas apesar de isso ser bastante divertido e, principalmente, fácil, eu considero esta uma atividade idiota, quando não contraproducente. E eu sou tão culpado por essa prática quanto o blog vizinho.

Mas antes de elaborar em cima das questões acima, um pouco de nomenclatura. Vamos chamar no resto deste texto "criacionismo" o movimento que prega a idéia de que o mundo foi criado da forma como é hoje, em contraposição ao "evolucionismo" a idéia de que a vida evoluiu de um ser vivo para o outro. Vamos também colocar o "design inteligente" em contraste com o "aleatorismo"; no primeiro tem uma força que guia o processo evolutivo enquanto que no segundo, tudo ocorreu ao acaso. Não vou usar o termo "darwinismo" aqui porque, ao contrário do que pensa Olavo de Carvalho, o debate que interessa não tem nada a ver com Darwin. Darwinismo se contrapõe ao lamarckismo e os dois apontam na mesma direção: a idéia da evolução.

A separação que eu fiz aí em cima é bastante útil porque ela separa os dois aspectos filosóficos deste debate: o aspecto científico e o aspecto metafísico. É verdade que virtualmente todo criacionista também acredita no design inteligente, assim como todo aleatorista segue a evolução. Há também os que estão no meio de campo: evolucionistas que acreditam numa evolução guiada, no princípio do design inteligente.

Veja que o debate científico nesse sentido é ponto pacífico. Ninguém sério debate a idéia de que existiram dinossauros ou de que as diversas espécies evoluiram umas das outras. Tem sempre os toscos que tentam defender a idéia de que o universo foi criado há 6000 anos e que não somos macacos, mas esses toscos são tão perigosos para a sociedade, ou para a ciência, quanto os toscos que defendem a idéia de que o verão é quando o Sol está mais perto da Terra, que a relatividade está errada porque dá pra ir mais rápido que a luz ou que o homem nunca foi pra Lua. Esses caras pensam do jeito que pensam porque eles não aceitam a ciência em primeiro lugar. E isso é um direito humano: o direito à burrice. Direito crucial aliás. Mas querer debater com esses caras é o equivalente futebolístico à seleção brasileira querer jogar contra o time do bairro. É facílimo de ganhar, mas nada de útil pode sair da partida.

A razão pela qual o debate é contraproducente se deve à segunda linha do debate, a linha metafísica. A polarização e as associações quase Pavlovianas entre evolucionismo e aleatorismo, criacionismo e design inteligente, despertadas pelo debate no plano científico acabam sendo percebidas pelo público desengajado como sendo uma luta entre ateus e religiosos. O que está longe de ser verdade, afinal não existe motivo filosófico ou material para negar a possibilidade de que existe um Deus guiando todo o processo, em oposição à idéia de que tudo é sem querer. E isso é ruim para a ciência. Porque, apesar do que gostam de falar alguns cientistas como Dawkins, a metafísica, em particular a teológica, é extremamente importante para os cientistas também. Se por um lado é verdade que o método científico exige da formulação experimental o rigor racional e ateu, a criação de novas hipóteses normalmente ocorre em função de uma mística interna do cientista, seja ela uma mística religiosa, intuição experimental ou uma busca ateísta. Queremos ter no nosso "time" a maior diversidade possível de correntes metafísicas, já que isso fatalmente trará mais frentes de ataque no horizonte de expansão. Afugentar os religiosos da ciência porque eles acreditam que um Deus ou uma força guia o universo é um erro gigantesco.

Devemos, sim, afugentar os que querem negar experimentos repetidos um bilhão de vezes. Mas é importante lembrar que a ciência se construiu nas costas de religiões e que ela, de maneira alguma, se opõe às crenças internas de seus membros. Muitos cientistas formidáveis que eu conheci na minha vida são pessoas religiosas que, apesar de serem diferentes em crença, são pessoas extremamente inteligentes com quem eu aprendi muito. O motivo pela qual a ciência não é uma religião é que ela não exige dos seus membros um estado mental ou uma unanimidade de opinião. A única coisa que a ciência pede é honestidade com os experimentos, com a natureza.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Aos engenheiros

Parte de um vídeo do Dilbert, mostrando como a engenharia é capaz de destruir famílias inteiras.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Considerações sobre o infinito...



Esse post vai sair meio esquisito porque eu comecei a escrever em setembro do ano passado! Pra se ter uma idéia eu tinha prometido pro João no comentário do post sobre subtração, faz mais de mês, achando que seria o próximo. Mas como vocês podem ver, demorou um pouco...

Outro dia eu me peguei pensando em algumas questões sobre o infinito. Falo sobre o infinito matemático, não o infinito psicodélico, metafísico... digo, essas idéias vieram durante aulas e tarefas, não numa mesa de bar. Tem muita coisa filosófica por trás disso e eu vou tentar ao máximo fugir disso. Não porque é irrelevante ou inútil, mas porque eu não sou um filósofo!

A primeira coisa a se pensar é sobre o conceito em si. Afinal, o que é o infinito, aquele matemático? Por exemplo, dizemos que a função 1/x tende ao infinito à medida que x tende a zero. O significado aqui não é tão complicado assim, mas dá uma idéia do que seria o tal do infinito. A teoria de limites utiliza uma linguagem formal e matemática, com epsilons e deltas e que, por preguiça de escrever equações eu não vou usar. Mas a intuição que este formalismo traz é simples: pra qualquer número arbitrariamente grande M, existirá um outro número real x1 de maneira que 1/x1 será maior do que M. Ou, em outras palavras, a função poderá assumir sempre um valor tão grande quanto você quiser, contanto que você escolha um valor de x1 pequeno o suficiente.

E essa é uma forma de pensar no infinito. O infinito é algo maior do que o maior número que você precisar. Mas observe o cuidado que eu estou tendo em utilizar as palavras. Eu digo que o infinito é maior do que qualquer número que você escolher, mas eu não digo que o infinito é um número tão grande quanto você quiser. E isso tem um motivo. A questão toda passa pelo fato de que, como eu ouvi de um professor certa vez, o infinito não é um número mas é um processo. Quando falamos que uma função vai pro infinito não estamos falando que ele irá assumir um número grande; estamos falando ela continuará crescendo sempre.

O infinito da teoria dos limites gera também a idéia de dois números infinitamente próximos, o que permite a derivada. O Paradoxo de Zenão (do Aquiles e da tartaruga) dá uma noção boa do que está acontecendo. No caso, temos um processo que precisa de infinitos passos para Aquiles passar a tartaruga. Todavia, cada passo vai tomando menos tempo de forma que a tartaruga é ultrapassada em um tempo finito apesar dos infinitos passos. O que acontece é que o tempo que leva para cada passo é "infinitesimal", palavra bonita que significa infinitamente pequeno. O cálculo também nos permite falar em quantidades infinitamente negativa, ordenar duas funções pro infinito pra saber quem vai pro infinito "mais rápido" (vide a regra de L'Hospital).

Mas aí vem um outro ramo da matemática e traz um outro infinito. A teoria de conjuntos tem também o seu infinito. O conjunto natural, por exemplo, é infinito. Mas esse infinito não é o mesmo do cálculo. Por exemplo, a quantidade de elementos em um conjunto não pode ser fracionária ou irracional. Não faz sentido falar, por exemplo, em um conjunto infinitamente pequeno: ou um conjunto é vazio ou tem um elemento. O infinito dos conjuntos tem também um sistema próprio de ordenação: o conjunto pode ser contável ou não-contável (e esses conceitos merecem um post!). Conjuntos inifinitos não-contáveis, como o dos Reais tem "mais elementos" que conjuntos contáveis, como o dos inteiros ou dos naturais. Um conceito que muitos já devem ter ouvido falar, os infinitos de ordem mais alta (acho que chamam de transinfinitos, os tais dos números alef), só fazem sentido nesse contexto de conjuntos. Uma outra expansão que o infinito dos conjuntos permite é de dimensão para um espaço vetorial (nada mais que um conjunto infinito bodoso). Aqueles que já passaram pelas matérias de matemática introdutória na faculdade viram isso na álgebra linear.

Um outro infinito matemático que eu me lembro da minha infância ginasial é o infinito geométrico. Lembram-se das retas paralelas que se cruzam só no infinito? Ou das infinitas retas que passam por um ponto? É exatamente este infinito que, na minha cabeça ao menos, traz os outros dois infinitos, o do cálculo e o dos conjuntos, pra um diálogo. Uma reta é um conjunto infinito de pontos. Um conjunto infinito. Ao mesmo tempo, podemos criar uma métrica na reta, que assinala a cada ponto um número real. Os teoremas de Tales e de Pitágoras na geometria são exemplos de métricas na geometria. E é aí que temos a ligação entre os dois conceitos. Pontos muito (muito!) próximos em uma reta estão separados por um infinitésimo. E o ponto de uma reta que intersecciona uma reta paralela está a uma distância que tende ao infinito.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Polymerase Chain Reaction



Eu botei um post outro dia com uma propaganda sobre um aparelho que se chama PCR, sigla para Polymerase Chain Reaction. Esse é um equipamento padrão de laboratórios que mexem com DNA (virtualmente todos os laboratórios de biologia, bioquímica e de ciências biomédicas!). Mas eu não expliquei exatamente pra que serve isso... então, especialmente para a Lalage, aí vai:

O DNA, como vocês já devem ter visto, é uma molécula bastante longa, no formato de uma escada retorcida. Endireitando a escada e cortando ela ao meio no sentido do comprimento, temos duas cadeias bastante longas e complementares (A com T; C com G... lembram-se das aulas de biologia?). Cada uma dessas cadeias é um polímero de nucleotídeos e a seqüência desses nucleotídeos é a tal seqüência genética, onde as informações hereditárias (ou quase todas) estão armazenadas. Tudo isso no papel parece ser bonitinho e tranqüilo.

O problema é que quando se está estudando um gene, um pedaço de DNA, um trecho de um cromossomo ou um plasmídio em laboratório, é importante conseguir reproduzí-lo. As razões são diversas. Enfiar um gene em uma célula para tentar descobrir o que um gene faz. Destroçar um gene para descobrir qual é a seqüencia de nucleotídeos. "Amplificar" uma amostra porque a purificação gerou uma quantidade pequena demais. Enfim. É preciso conseguir clonar DNA.

A primeira idéia utilizada para fazer isso foi buscar usar o maquinário que a natureza já possui e que é utilizado em células regularmente. Você enfia o seu pedaço de gene numa bactéria que reproduz o gene pra você. Tem alguns passos extras que é preciso fazer, mas o problema desse processo é que, além de ser um pouco limitado, demora.

Aí, um belo dia, um bioquímico e surfista que trabalhava para uma empresa de biotecnologia na Califórnia, Kary Mullis desenvolveu um método para clonar o DNA mais rápido, e ganhou um prêmio Nobel com isso. Utilizando "primers", trechos de DNA bem curtos que indicam qual pedaço do DNA deve ser reproduzido e a DNA polimerase, enzima que faz cópias de DNA a partir do primer, é possível clonar o DNA exponencialmente.

Para o sistema funcionar bem, é preciso utilizar a DNA polimerase de bactérias que vivem em alta temperatura. Isso é útil porque a altas temperaturas, o DNA, que normalmente encontra-se naquela forma clássica de escada retorcida, se abre naturalmente e fica exposta à enzima. O método tradicional utilizado por nossas células, por exemplo, precisa de outras enzimas, as helicases, que fazem o trabalho sujo de separar as duas tiras do DNA. Além disso, o fato de a polimerase só funcionar a altas temperaturas permite um controle maior do processo, que se dá em ciclos de temperatura. Esquenta até separar tudo, esfria para que os "primers" grudem no DNA, esquenta um pouco para as DNA polimerases copiem o DNA, esquenta um pouco mais para separar tudo de novo e reiniciar o ciclo.

Este método de clonagem de DNA foi revolucionário e permitiu o uso atual do DNA para tudo: teste de paternidade, identificação de criminosos a partir de um cabelo... além, é claro, dos laboratórios de pesquisa. Agora talvez valha a pena rever a propaganda do outro dia. "PCR, when you want to know who's your daddy!"

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Domínio próprio

Apesar de não estar atualizando este blog na freqüência que eu gostaria e o número de leitores não ser exatamente grande, eu acho que este blog está funcionando... Então eu resolvi dar um passo extra: peguei um domínio próprio. A razão é meio idiota, mas eu gosto do ar profissional que um domínio próprio dá ao site.

Agora o site está hospedado aqui, em www.entropicando.com. Os links antigos continuam funcionando, e continuarão funcionando por um bom tempo... mas eu peço, pelo bem do meu status com o robô do Google, que aqueles que tem meu blog no link list que atualize este endereço! O feed RSS deve continuar funcionando normalmente. Eu espero!

Para quem quiser ter mais informações sobre a migração do Blogger para um domínio próprio em http://hate-titles.blogspot.com, mas quando eu tiver mais tempo. Assim também eu vou ter uma noção completa de quais foram os pepinos encontrados.

Obrigado pelas visitas e continuem aparecendo!